segunda-feira, 27 de julho de 2009

Se eu não estivesse aqui, continuaria a ser bailarina para dar ordem a este corpo, ter cauda invisível de pavão e poder acariciar as partículas que desenham no ar os seus circuitos emaranhados de humanidade. Continuaria a ser bailarina para cantar em saltos as histórias divinas da linguagem corporal e proibir a dúvida da palavra. Assim, restaria em mim, o silêncio do meu corpo, livre nos seus músculos esforçados pelo seu próprio movimento, e o suor a pingar as minhas roupas de loucuras em erupção no sangue aquecido pela corrida em mim.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

A menina responde

Querido amigo monstro,

Tens-me contado tantas histórias e tão belas quanto a sensação que me transporta em imaginação até aos campos de ervas verdes, arrepanhadas pela brisa marítima. Em nada te respondo, nem com um truque lírico ou com uma troca de imagem de outro mundo, que não este que nos transporta no quotidiano, nem com uma fábula de menina de pouca idade e sonhadora, tanto quanto o meu conhecimento das cores e das formas me permite.
Tens-me contado confidências que não existem e que eu guardo no meu diário para, quando quiser, reler o segredo. O verão não larga os meus caracóis e doura-me a alma de impossibilidades, mas que no fundo não passam de azáfamas em torno das conquistas que quero conquistar realmente. E continua, por favor, a contar-me essas histórias, as mesmas ou as que quiseres, para eu desintoxicar a minha imaginação de garras pesadas.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

E ainda...




Passo a publicidade!


A BAIXA NÃO QUER ESTAR EM BAIXO. VÊ-SE!

VÊ-SE MESMO AQUI E POR AÍ…BASTA ESTAR ATENTO.


E PORQUE UMA NOITE NÃO SÃO NOITES, NA NOITE DE 10 DE JULHO (6ª FEIRA), ÀS 21H30, AFORESTDESIGN E A LEITARIA CAMPONEZA APRESENTAM UMA SESSÃO CAMPESTRE ESPECIAL, INTEGRADA NO PROJECTO COMBO E NAS FESTAS DE LISBOA 2009.


QUEM DISSE QUE A CAMPONESA SÓ SABIA TRABALHAR NO CAMPO?AFINAL, ELA TAMBÉM DANÇA, REPRESENTA E CONTA HISTÓRIAS QUE VALEM A PENA SER OUVIDAS.


E, NO SÁBADO, CONTINUA…

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Cito:

in Um Estranho em Goa, de José Eduardo Agualusa
"- Não, indiano, não, mas às vezes sinto-me goês...
- E português?
- Isso já não sei. O que é um português?
A pergunta apanhou-me desprevenida. Hesitei:
- Bem, antes de mais, suponho, um europeu...
- Os portugueses, europeus? - Riu-se com mansidão - Nunca foram. Não o eram antes e não o são hoje. Quando conseguirem que Portugal se transforme sinceramente numa nação europeia o país deixará de existir. Repare: os portugueses construíram a sua identidade por oposição à Europa, ao Reino de Castela, e como estavam encurralados lançaram-se ao mar e vieram ter aqui, fundaram o Brasil, colonizaram África. Ou seja, escolheram não ser europeus."