És o menino que cresceu. E eu já não sou criança agarrada ao amor que não soubeste usar. Espreitava-te, sozinha no banco corrido enquanto rias com todos e eu deslumbrava-me em ti. És o menino que cresceu e quando chegaste a grande, eu comecei a odiar-te porque não soubeste espreitar comigo o mundo. Comecei a odiar-te porque soubeste destruir o encanto do primeiro amor. E fiquei a achar que amar é muito difícil, mais difícil que escalar muito alto a montanha mais acidentada. Mas, nem por isso, cortaste-me as asas, talvez porque nunca as soubeste abrir para sentir o seu toque de pluma e o seu cheiro a flores silvestres. Posso espreitar-te quando quiser, mas tenho a sombra dos pássaros que sempre estiveram comigo e que, quando eu caí da infância para a vida adulta, apararam-me a queda com novelos de penas. Por isso, continuo a odiar-te porque uma ave ensinou-me a voar com ela.quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Viagem nas tuas viagens. III.
És o menino que cresceu. E eu já não sou criança agarrada ao amor que não soubeste usar. Espreitava-te, sozinha no banco corrido enquanto rias com todos e eu deslumbrava-me em ti. És o menino que cresceu e quando chegaste a grande, eu comecei a odiar-te porque não soubeste espreitar comigo o mundo. Comecei a odiar-te porque soubeste destruir o encanto do primeiro amor. E fiquei a achar que amar é muito difícil, mais difícil que escalar muito alto a montanha mais acidentada. Mas, nem por isso, cortaste-me as asas, talvez porque nunca as soubeste abrir para sentir o seu toque de pluma e o seu cheiro a flores silvestres. Posso espreitar-te quando quiser, mas tenho a sombra dos pássaros que sempre estiveram comigo e que, quando eu caí da infância para a vida adulta, apararam-me a queda com novelos de penas. Por isso, continuo a odiar-te porque uma ave ensinou-me a voar com ela.segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Viagem nas tuas viagens. II.
Estou cansada deste calor, de sentir este abrasador colado ao meu corpo sobre esta ombreira desprotegida na rua de calçada velha, roendo as angústias em sonhos tristes. Se fosse como a pessoa que não existe na cadeira, poderia baloiçar as costas num vagar arrepiado e sentir os músculos tensos, aconchegados nas mangas compridas de lã e pensar imaculadamente como o redor silencioso. O manto de neve estala-se como pedaços de cerâmica sobre os meus passos incalculáveis e eu continuo sentada sobre a ombreira, em viagem pela tua paisagem, sedenta de gelo e do alpendre onde escondo o meu descanso.
Subscrever:
Mensagens (Atom)