segunda-feira, 28 de novembro de 2011

"Istanbul, Memories and the city" e um pouco de história da literatura (e ainda qualquer coisa a ver com o fado)


Afinal, a minha memória não se equivocou. Sabia que, algures, encontraria um livro emprestado por uma amiga que, em tempos, tinha vivido em Istambul. Em jeito de desafio turístico, ela sugeriu-me esta leitura de memórias da cidade de Istambul, escrita por Orhan Pamuk, Nobel da Literatura em 2006.

Pois, após uma visita recente a Istambul pus-me avidamente a procurar o livro Istanbul, Memories and the City entre os escombros de pilhas literárias, para confrontar memórias (claro está que não equiparo o grau de memória) ou simplesmente para "matar" saudades de uma cidade que tanto me encantara. E encontrei-o!

Sublinho para já esta passagem onde o autor cruza a essência experiencial de uma vida real/emocional com o acto da escrita, advindo daí uma causa para que este livro tenha acontecido: A MEMÓRIA de uma cidade.

"Conrad, Nabokov, Naipaul - these are all writers known for having managed to migrate between languages, culture, countries, continents, even civilisations. Their imagination were fed by exile, a nourishment drawn not through rootlessness; mine, however, requires that I stay in the same city, on the same street, in the same house, gazing at same view. Istanbul's fate is my fate: I am attached to this city  because it has made me who I am.

Flaubert, who visited Istanbul a hundred and two years before my birth, was struck by the variety of life in its teeming streets; in one of his letters he predicted that in a century's time it would be the capital of the world. The reverse came true; after the Ottoman Empire collapsed, the world almost forgot that Istanbul existed. The city into which I was born was poorer, shabbier, and more isolated than it had ever been its two-thousand-year history. For me it has always been a city of ruins and of end-of-empire melancholy. I've spent my life either battling with this melancholy, or (like all Istanbullus) making it my own." 


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Concerto no 49 da ZDB

O meu Outono musical abre a sua temporada...no 49 da ZDB, dia 23 de Novembro (4ªfeira), às 23h, com entrada livre.

sábado, 12 de novembro de 2011

Going Green: art is a way

Fala-se dos problemas ambientais e das mudanças climáticas. Relatam-se as catástrofes naturais onde contam mortes, os danos psicológicos e económicos, parecendo-nos uma espécie de vingança apocalíptica da Natureza à Terra que insiste em desfrutar egoísta e perversamente os recursos finitos e frágeis que aquela nos oferta.

A arte, com a sua militância política e consciencializadora, pode ter um papel activo de sensibilização e alerta para esta temática, através da estética, quer seja mais ou menos científica, mais ou menos poética, mais ou menos agressiva, através da mensagem e do apelo, explícito ou implícito.

Derivado de uma leitura da crónica Going Green, por Robert Butler, publicada na recente edição da revista Intelligent Life, pude perceber como a arte, nas suas diferentes formas de expressão, pode actuar fora dos clichés catastróficos da Natureza. A sua abordagem ao tema faz-se de uma forma visionária através dos ideais de resiliência, da sobrevivência, da adaptação e da improvisação.

Robert Butler diz: If sustainability is about one thing, it’s about survival. Esta capacidade ou competência para a sobrevivência, reflecte-se nas criações artísticas e o autor exemplifica isso com o célebre conto d’As Mil e Uma Noites. Neste conto, o rei da Pérsia, Xariar, tinha como costume dormir com uma virgem cada noite, para matá-la na manhã seguinte. Perante este facto, a heroína e “sobrevivente” do conto, Xerazade consegue sobreviver ao estratagema sanguinário do Rei contando-lhe todas as noites uma história. Curioso por estas histórias, o Rei vai poupando a vida de Xerazade até que este revela o amor que sente por ela. Butler remata assim: By surviving, Scheherazade shows that art not only reflects the world, it changes it too.

Tendo este artigo como ponto introdutório, gostaria de sublinhar e de congratular um projecto original de sensibilização para o nosso património natural e ambiental: Sons do Arco Ribeirinho Sul, desenvolvido pela Arco Ribeirinho Sul S.A. e pela Associação Cultural OUT.RA. Através de um trabalho de recolha e captação etnográfica sonora e visual no concelho do Barreiro, o artista fonografista Luís Antero realiza um vídeo de paisagens sonoras. A poesia visual e a composição natural dos sons revelam-se um documento patrimonial e ambiental, abrindo a “porta a um novo mundo de escuta e atenção ao património ambiental do Concelho do Barreiro”.

Este é um exemplo vivo de "sobrevivência" e adaptação, criando uma nova forma de esperança e de resistência.