Quem me dera ser um homem. Quem me dera ser o homem estendido ao sol, desprovido de nervos, com o peito inchado de sonolências. Quem me dera ser o homem deitado sobre uma manta branca, isolado na sua ilha de complacência. Quem me dera ser o homem desprotegido de ficções alheias, para encabeçar o imaginário de alguém. Quem me dera descobrir o tamanho das pernas alongadas no campo, para que elas ganhassem forma de natureza sobre o horizonte, entre pequenos malmequeres a espreitar à luz. Ou ganhar a amplitude do silêncio sobre o homem, que o abraça com uma tranquilidade amortizante.
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quinta-feira, 15 de julho de 2010
Quem me dera ser um homem. Quem me dera ser o homem estendido ao sol, desprovido de nervos, com o peito inchado de sonolências. Quem me dera ser o homem deitado sobre uma manta branca, isolado na sua ilha de complacência. Quem me dera ser o homem desprotegido de ficções alheias, para encabeçar o imaginário de alguém. Quem me dera descobrir o tamanho das pernas alongadas no campo, para que elas ganhassem forma de natureza sobre o horizonte, entre pequenos malmequeres a espreitar à luz. Ou ganhar a amplitude do silêncio sobre o homem, que o abraça com uma tranquilidade amortizante. quarta-feira, 23 de junho de 2010
Não houve rédeas para os nossos cavalos e sei que eles se perseguem nos campos, um de cada vez a ultrapassar o outro, entre as ervas verdes garridas dos mantos virgens de segredos. Os cavalos, com as suas crinas ao vento, desenfreadas na loucura de suspiros, a cantarem a corrida infindável da força de dois corpos que se querem entrelaçar, talvez quando a respiração quebrar. Os nossos cavalos em corrida, atrás de nós, mais longe de nós, em corrida à espera de parar, quando soubermos que é tempo de nos encontrarmos. E talvez como os raios de uma roda, ligados do centro para o aro, um dia saberemos como se constrói uma máquina inteira e possamos pô-la a girar, dentro de qualquer imagem, para qualquer futuro.
domingo, 20 de junho de 2010
Follow that girls
Também quero caminhar ao vosso lado, no espaço cinzento da fotografia, como uma voz em cor preta e nostálgica, mas dita na contra-luz. Poderei receber uma mão, vinda por baixo, como uma salvação largada na corrida do carril? Talvez que me levasse pelas paragens do percurso e eu descobrisse onde sair.Também quero ter a expressão certa de que havemos de chegar ao topo, onde a luz parou para que possamos tocá-la, para que possamos aquecer neste raio esquecido de sol e sorrir ao encontro dos outros. Talvez que esta rua não exista e seja um quadro pintado pelos dedos do tempo que estava esquecido do que era a vida quando ela ficou adulta e em crise. Talvez que seja a rapariga que se atravessa no caminho do sonho e este há-de passar de mãos dadas enquanto ela já estará no passeio, em segurança triste. Prefiro imaginar que estou em atraso, mas em perseguição desta imagem, deste momento de candura que, às vezes, acontece por aí.
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