segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Viagem nas tuas viagens. II.

Estou cansada deste calor, de sentir este abrasador colado ao meu corpo sobre esta ombreira desprotegida na rua de calçada velha, roendo as angústias em sonhos tristes. Se fosse como a pessoa que não existe na cadeira, poderia baloiçar as costas num vagar arrepiado e sentir os músculos tensos, aconchegados nas mangas compridas de lã e pensar imaculadamente como o redor silencioso. O manto de neve estala-se como pedaços de cerâmica sobre os meus passos incalculáveis e eu continuo sentada sobre a ombreira, em viagem pela tua paisagem, sedenta de gelo e do alpendre onde escondo o meu descanso.



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